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blogue do siman

escritor • crítico • diretor de teatro • editor

jovem puta

Maio 30, 2015

 

pernas rosadas
bicos dos seios rosados
e vulva rosada
pareço até uma menina
a única coisa de puta
que há em mim
é a boca rubra
— ou a alma (?) —

Inquietante

Maio 29, 2015

 

Não deixa-me quieto.

Tens em si o dom

de ser inquietante.

Tira-me os víveres

e a paz

— que já é pouca

e não os repõe

nem com carinho

nem com amor.

 

A estrada se prolonga

e tu me tiras os sapatos

e faz-me andar sozinho

e de pés descalços.

 

Tudo passa,

menos teu asco

concomitante,

teus preceitos equivocados

e tuas fraturas expostas

(expõe demais o interior teu).

 

Faz-me sofrer demais.

Tira-me os víveres

e a paz

— que já é pouca.

"Todo o poder emana do povo"... mas o povo entregou-o a Cunha

Maio 28, 2015

 

   O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, tem se saído cada vez pior em questão à democracia e à liberdade de expressão. Cunha não tem sido apenas um deputado poderoso; muito pior que isso: um ditador. Seus projetos e atitudes absurdas ficam muito bem escondidas pois o teatro da mídia brasileira cumpre bem o seu papel... (de teatro, como disse.)
   Cunha desrespeita e invalida não somente a Constituição, mas também a participação do povo brasileiro. Apoiado pela bancada conservadora — e de peso — na Câmara, Eduardo Cunha encontra, no berço da direita, a cumplicidade para suas falcatruas.
   A desmoralização dos Direitos Humanos e trabalhistas é praticada com frequência por Cunha e seus aliados. O pior de tudo é que os parlamentares que estão do lado do presidente da Câmara são os mais votados de seus estados e apoiados pelos "cidadãos de bem" e "defensores da família tradicional", mas o ponto mais absurdo não é somente este. As pessoas que apoiam esses candidatos e as atitudes por eles tomadas, reclamam assiduamente da situação em que o Brasil se encontra, por exemplo: agora são a favor da terceirização, mas quando as consequências pesarem nos ombros, colocam a culpa toda no Executivo e tiram o peso do Legislativo e de si mesmos.
   Daqui a pouco, quando o circo — ou o Shopping Câmara — pegar fogo, não vão ser encontradas mais alternativas de fugir. Enquanto o palhaço encontra alguém para rir de suas piadas, ele as continua contando, mas vai chegar uma hora em que não vai fazer mais graça e, ao invés de rir, nós iremos lamentar por deixarmo-nos levar pelos que só querem nos oprimir.
   "Todo o Poder emana do povo", mas o povo só exerce seu poder se unir-se contra os que o tiram a capacidade de exercê-lo. A fixa suja de Eduardo Cunha não basta para que todos percebam o quão errados foram ao botar no Poder os que dizem ser a nosso favor mas, na verdade, só agem contra nós e a favor da neo burguesia falida brasileira.
   Os partidos da esquerda como o PT, PCdoB e PSOL têm lutado fortemente contra as barbaridades propostas por Cunha e sua trupe, mas os partidos, sozinhos, não mudam o destino do País. Precisamos unir as nossas forças e fazer acontecer um futuro melhor para este nosso Brasil. Atitudes como o impeachment da presidenta da República são imensuravelmente equivocadas e desnecessárias. Se queremos, de fato, o melhor para o Brasil, devemos lutar contra os que nos querem somente como eleitores e não nos veem como seres humanos e cidadãos de uma Pátria livre, Pátria esta que parlamentares como Cunha tenta oprimir e desmoralizar. Nós devemos nos importar com quem se importa conosco, buscando, assim, um Brasil para o povo brasileiro.

 

Vinícius Siman

Ipatinga, 28 de maio de 2015

Língua

Maio 26, 2015

 Minha pátria é a Língua Portuguesa.

— Fernando Pessoa

 

Tu podes encontrar

no agudo

o circunflexo de tua língua,

e no circunflexo, talvez,

teu desamor,

teu desentendimento,

tua agonia pelas palavras,

mas nunca, jamais,

encontrarás em outro lugar

o til, o só nosso til

(corpo de mulher nua),

que de prazer se delicia

e se deleita dentre a língua

— o sexo oral

na (ou da?) poesia —

   (ou as línguas).

 

O meu desejo mais carnal,

mais o_culto,

é pela língua

   — e pela linguagem.

sou teu

Maio 25, 2015

 

você me cansa

me descansa

me enlouquece

me espanta

   — me entorpece.

 

você me tem

me faz

me vem

me vai

se foi

se extrai:

   — te amei

       me amai!

 

você me usa

me abusa

me lambuza

   (teu coito)

   tua moita

   teu açoite

      — me joga fora.

 

   me ama me odeia me tem horror me acha belo me planta me semeia acha-me amargo acha-me doce — outrora fosse o que é inesperado; me cansa me tem me usa — sou teu.

navalha

Maio 24, 2015

 

o que fere e é cortante

   perplexa-se em instantes

no que foi solidão

 

   o nada que espera

o ser que venera

   é de desatenção

 

a paz cobiçada

   não leva a nada

a não ser confusão

Rechaço fracassado

Maio 23, 2015

 

   Sento-me na fria poltrona e descanso meu corpo macerado pelo dia de longas e apertadas discussões políticas. Fecho os olhos e tento encontrar-me em mim mesmo, mas não tenho sucesso na busca. Ouço o barulho incessante do relógio de parede e imagino-o. Abro os olhos e vejo que o relógio dá continuação à minha imaginação: os ponteiros engolindo os algarismos romanos — um por vez — e mastigando os segundos que levo para entender o horário que o relógio propõe. E a sinfonia das horas se acabando continua — tique-taque, tique-taque.
   A minudência dos fatos me apavora. Sinto minha pressão aumentar, meus olhos arregalam-se. Percebo, por um instante, a lentidão incontínua em que meu coração se debate dentro do peito, até parar. Após três quase eternos segundos, o órgão da vida volta a pulsar e amar — quando recordo o amor platônico (apoteótico amor platônico!) —. Do canto do meu olho esquerdo cai uma lágrima; lágrima que faz-me constatar que encontro-me em um estado deploravelmente apiedado de mim mesmo. Pego, na mesa ao lado, um livro que reli cerca de noventa vezes, mas, no fundo, acho-o tolo. Não abro-o. Olho a capa por alguns instantes. "O triste fim de Policarpo Quaresma — Lima Barreto", é o que ouço das barulhentas letras que parecem saltar do livro para minha boca, umedecerem-se com minha saliva e, então, subir ao cérebro.
   Tudo é monotonia.
   Acutilaram-me o ser as horas passadas. Não suporto esses esquerdistas que dizem ter a solução para mudar o país. Todos sabem que a única maneira de mudar o Brasil é com o Regime Militar. Castelo Branco, meu velho amigo de quartel, está dando um jeito nesses comunistas. Abro um pouco os lábios e quase sorrio. Fecho os olhos novamente. O relógio continua tiquetaqueando, mas, desta vez, mais lentamente. Meu coração acompanha o ritmo do relógio. O relógio para. Outra vez meu coração deixa de bater. Conto os três tradicionais segundos, mas o coração insiste em permanecer parado. Abro os olhos, assustado. Vejo que não tenho mais escapatória. Os ponteiros do relógio voltam a girar, mas constato que já está — literalmente — tarde demais.
   Tique-taque, tique-taque...

tua pele enrugada

Maio 23, 2015

 

o que me diferencia de ti,

de tuas poucas palavras,

é a pele clara

 

a clareza quase solar de minha tez

não se compara

à tua,

cheia de manchas

deixadas pela idade avançada

 

não comparo-te

com os outros que me deixam infeliz,

mas contraponho-te a mim

e minha beleza estelar

— outrora solar

 

tu, somente,

arthur,

sabes o que sinto

— em tua sabedoria lunar,

escura, mórbida —

pelo teu jeito maduro

tua tez enrugada

e teus olhos caídos, murchos

 

esquece-te muito de tudo que digo

e não tenho

paciência

com enfermos e suas enfermidades

 

tua pele asquerosa

faz-me bem

por saber que um dia

ficarei também assim:

asquerosa

— até mais do que já sou —

e isso é mais que um lembrete;

uma profecia

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