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blogue do siman

escritor • crítico • diretor de teatro • editor

Convivência

Junho 28, 2015

 

Do início,

que se torna cativante,

outrora relevante

— até mais que propício —

 

faz-se o drama,

não há amor que sobreviva

à esta trama

de quem conviva.

 

O que resta agora

não é nem chama que chora

do que antes aguava e sorria.

 

A tristeza minha

é que muito te enganas

quando, por cansaço de mim, te jogas na lama.

marginal

Junho 26, 2015

 

pés calçados pelo asfalto frio.

alma descalça dos percalços necessários.

vida a findar.

cheiro de blues no ar.

cheiro de sangue no ar.

cheiro de perfume no ar.

ar que tem cheiro de tudo,

menos de ar.

 

pés calçados pelos percalços desnecessários.

alma precipitada pela frieza dos sentimentos.

— é apenas o começo da vida, criança!

cheiro de fanque no ar poluído.

cheiro de bosta no ar poluído.

cheiro de gente fedida no ar poluído.

cheiro de ar poluído.

 

pés descalços, pisando na relva

de meus pesadelos noturnos.

acordo e vejo

uma selva de pedra.

selva com cheiro de selva.

selva com cheiro de seiva.

selva com cheiro de silva.

selva que chora e saliva

   (selva que cospe).

 

ando pela madrugada

   — fria madrugada vazia e árdua! —

nas ruas da noite quase sem fim

que acabou que começar.

 

      o dia acaba

      o diabo abala

      o diabo, a bala

      o dia abafa.

         (desabafo!)

 

os pés não querem ser calçados.

a alma também não.

   — tome juízo, hein? — todos dizem.

   juízo tomei:

   bebi-o num só gole.

 

pés calçados pelo asfalto frio.

almas descalças pelos percalços, outrora, necessários...

Soneto vazio

Junho 25, 2015

 

Que tristeza traz as coisas vazias

As folhas em branco

As nuvens sem dia

O susto sem espanto

 

Que tristeza traz o riso sem pranto

Minha tristeza: agonia

Mais que tudo, e, no entanto

Quase nada: euforia

 

Que tristeza traz as coisas vazias

Que transforma o pouco em tanto

Dá sentido às alegrias

 

Transforma as coisas esguias

Em tombos no desencontro

De tantas tristezas minhas

 

com Gely Fantini

Amo-te feito louco

Junho 25, 2015

 

Amo-te feito louco.

Mesmo que pouco,

mesmo que menos que pouco,

amo-te, amo-te em outro

tempo de amar-te:

agora.

 

Amo-te feito louco.

Mesmo que muito,

mesmo que muito te pareça pouco,

amo-te, amo-te no mesmo

sonho levado a esmo:

amo-te, amo-te

e grito

grito-te

até ficar rouco.

 

Amo-te feito louco.

E louco sou,

por isso amo-te tanto,

ou por encanto,

no entanto,

amo-te mais que riso e pranto:

amo-te, e pronto!

 

Amo-te feito louco.

O que me faz ser louco

é o amor, mesmo que ainda pouco,

sinto por ti, não por outro,

ou o que me faz amar-te

é a loucura de entregar-me

sem querer que te entregues a mim?

Amo-te com ou sem fim,

amo-te mesmo que pouco,

mesmo que muito,

mesmo que breve:

não te atrevas

ao que te atreves.

 

Desejo ser louco,

desejo amar-te,

cada dia muito e pouco,

cada dia entregar-te

ao prazer, mesmo que muito,

ao desejo, mesmo que louco.

Desejo e prazer andam no

mesmo barco

e nadam nas mesmas águas:

muito,

pouco,

nada.

Crônica dos dezesseis anos

Junho 24, 2015

imagem129.jpg

 

   Eu nunca tive nada que chamasse a atenção dos homens.

   Em certo ponto, resolvi me vestir bem, me enturmei com pessoas da minha idade, fingi ser mais imaturo do que já era, e mais burro também.
   Mas nestes últimos meses, refleti e cheguei à seguinte conclusão: não vou fingir ser quem eu não sou. Pode até parecer uma coisa boba, mas foi um verdadeiro ato revolucionário (no ponto de vista egoísta e egocêntrico de todo ser humano)!
   Nunca gostei de me arrumar todo, e coisa e tal. Agora não vou dizer que meu estilo é maltrapilho, mas que é MEU. Não adianta tentar rotular-me pelo meu modo de vestir, pensar ou agir: não adianta tentar rotular-me.
   Mudei também meu pseudônimo. Pode ser feio, mas, como diria Rubem Leite​ citando a mulher de uma novela qualquer: meu nome é feio, mas é MEU.
   Chutei o balde ouvindo Maysa, escrevi pra caralho, sofri e parei de fingir. Não tenho mais vergonha da minha cara feia, do meu corpo desnutrido, nem das minhas olheiras, antes disfarçadas por uma tal de Mary Kay. Não passo mais base nas unhas. Muitos dizem que estou desleixado, mal-amado, mas é muito pelo contrário: nunca me senti tão amado e cuidado quanto agora, e, confesso: até mais olhado nas ruas.
   Por mais que eu continue me odiando, agora aprendi a me amar, e isto está sendo uma parte primordial da minha vivência espiritual. Me sinto um ser mais evoluído e até mais maturo.
   Não tenho medo de perder falsas amizades nem de me apaixonar. Se for pra morrer de amor ou pelo ódio que causei em alguém, que seja, mas morrerei por ser, tão somente, EU!

 

NOTA: Aos demais que acharam a imagem um absurdo: desculpem pela implicância.

cidade_zona importante

Junho 09, 2015

 

carros, motocicletas,
ônibus, caminhões,
bicicletas,
moças gritando
as amigas.
homens chamando
raparigas;
desilusão sonora,
poluição, aurora,
choros, berros,
mais que gritos,
tenros desejos
desacordados
da cidade que não dorme
jamais.
vidas cruzadas,
caminhos deixados pela metade,
mentiras,
meias verdades
(nunca completas).
flechas nos ouvidos,
estardalhaço,
cada buzina é uma batida a menos
no coração.
dizem que isto é um puteiro.

 ...

antes fosse!

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