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blogue do siman

escritor • crítico • diretor de teatro • editor

todas as questões existenciais dum domingo ou sou o mais novo titio do pedaço ou lúcio braga não é lúcio braga

Junho 26, 2017

na madrugada de anteontem dei início ao meu próximo romance: chão frio. “como você tem facilidade com títulos!”, disse-me rubem. mas não. não tenho facilidade nenhuma. o negócio é que eu só começo a escrever um livro depois de ficar uns bons anos gestando a história no pensamento. é isso. “por que chão frio?”, você pode sentir ímpetos de curiosidade; mas eu respondo. chão frio ― de quando você acorda e ainda está dormindo, o pé encosta no chão frio, aquele choque, aquele susto, aquele convite te obrigando a despertar. caraaaaalho!

o livro é isso. quando eu lançar vocês vão ficar sabendo.

li um livro esses dias que mudou a minha vida: autodesconsideração ou prática da desimportância, de rafael ludicanti, da coleção “vagabundos iluminados”. puta que me pariiiiiiiu! leiam. o tempo todo me veio à cabeça: esta é a ilidisseia* pós-moderna, caramba! o cara é o gênio pessoano que escreve coisas homéricas em tom niilista. ou nada disso.

ontem, depois de muito tempo, fui ao feirarte com rubem. tomamos os coquetéis sempre novos na barraca de sempre. a questão existencial do meu domingo foi: será que lúcio braga é lúcio braga? explico: algumas mesas adiante vi um cara que tem a cara do lúcio, o jeito do lúcio e até o cabelo do lúcio. mas só conhecia lúcio pelo facebook. senti ímpetos de ir até ele e perguntar: bom dia, lúcio, você é o lúcio? mas fiquei com medo de cometer uma gafe e ainda incomodar a conversa do pessoal da mesa. não parava de olhar pra ele. depois de uns goró a mais, tomei coragem. sim, o lúcio era o lúcio. ufa! lembrei-me até do magritte: uma foto do lúcio braga com uma legenda dizendo “este não é o lúcio”. coisa de loko!

chegay em casa mais ou menos bêbado (mais pra mais). e recebi a notícia de que sou tio, e minha sobrinha é canceriana. filha da jhennyfer e do lucas. chama-se helena, a bebezinha. que amor! uma fofura! lembrei-me do acalanto para helena, de chico buarque. não vale a pena despertar não, queridinha. dorme muuuuuito mesmo. ah, não disse, mas a menina chama-se helena também! ay! o efeito do álcool até passou, mais ou menos...

helena será helenista ou heleniilista? ― seja o que for, a última opção não dá certo com epicurismo.

 

 

*ilidisseia: neologismo meu pro conjunto das obras ilíada e odisseia, de homero.

há de se tomar cuidado co'a polícia quando se fizer 18 anos

Junho 24, 2017

a cena do filme "paris, texas", de 1984, dirigido por wim wenders

ontem fiz aniversário. mamãe, sempre carinhosa, foi a primeira a me dizer: cuidado com a polícia — você vai fazer 18, já pode ser preso. depois, ziza saygli disse o mesmo, sem que eu a dissesse da advertência de mamãe; depois, nena de castro repetiu; depois gely fantini; e então larissa. ara! tão me achando com cara de quê?

pensei que ia dormir tranquilo e acordar na manhã do dia 22 com uma barba enorme na cara. hoje é 23 — nem penugem! vida cruel! e não era pra eu ter essa dificuldade toda de embarbar, já que descendo de árabes. um dia ainda fico bonito pros outros (pros outros, porque pra mim já sou lindo).

me lembrei duma cena que marcou minha vida, é do filme paris, texas, de wim wenders. travis (papel do gênio harry dean stanton) se vê no rosto de jane (interpretada pela maravilhosa nastassja kinski). eta, que só esse jogo de câmera me fez chorar cântaros...

outra coisa que eu me lembrei: quando estava eu, madrugada chuvosa, passeando pelo parque ipanema deserto, todo omirde, com meu guardachuvinha, uma viatura da polícia veio me lambendo, parou, eu continuei andando sem olhar pro lado, daí eles deram uma sirenada de aviso. voltei. "boa noite", disse ao policial. "o que cê tá fazendo aqui?", perguntou-me delicadamente o senhor policial; "passeando, uai", respondi com ar de bobo. "onde cê mora?", "canaãzinho", "quantos anos você tem?", "16", "o que tem na sua bolsa?", "livro". foi só eu falar que tinha livro que ele saiu. nem me deu a honra da revista. acho que ele era alérgico a livros, como as crianças de admirável mundo novo.

todo mundo tem me falando muito pra parar de fumar. ara! tem é graça! eu passei minha adolescência toda com uma dificuldade imensa pra comprar cigarro (você já é dimaió? — perguntavam-me as atendentes de padarias. já, claro, mas não trouxe identidade — respondia. e muitas vezes era barrado e tinha que comprar cigarro paraguai no buteco da esquina). imagina só, agora, que eu fiz 18, vou parar de fumar... ai, ai!

outra coisa que também me deixa muito feliz é poder beber tranquilo. bebia com o cu trancado. é como diria o querido zé nunes da silva, marido da nua arteira, minha deusa: "não confio em homem que não bebe".

entrei na "vibe dos 18" (é o que diria gustavo nascimento, a vona), e vou aproveitá-la — e sofrê-la. vai ter que me aguentar por muito tempo ainda, vida adulta!

isto não é um blog

Junho 18, 2017

voltei a escrever este blog. desta vez mais como forma de desabafo, de grito, de uivo (ginsberguiano). e isto também não era pra ser um blog. mais pra antiblog que tudo.

quando vejo as pessoas andando nas ruas sinto uma sede enorme de saber o que se passa em suas vidas, quais suas histórias, quais seus piores e melhores sentimentos. sinto vontade de apertá-las contra meu peito e beijá-las na testa. isto agora será uma avenida movimentada, cheia de buzinas e semáforos e pessoas se esbarrando e, num canto oculto, uma fruta apodrecendo como num poema de gullar.

tenho lido cada vez mais e escrito cada vez menos. por isso decidi voltar; voltar de vagar, tão de vagar como nunca. escrita é sacerdÓCIO. sempre tive uma tendência de ostracismo, de misantropia. talvez eu seja o tipo de escritor experimental, um antiescritor como todos os escritores são.

não quero ser tão chato e tão fascinante quanto homero. só quero voltar a escrever este antiblog que foi mais acessado durante o tempo que o abandonei do que quando escrevia diariamente.

talvez publique duas coisas num único dia, numa única hora; talvez demore mais meses pra publicar. mas voltei. voltei com vontade de voltar, e, por isto, independente de quanto tempo eu demore pra atualizá-lo, ele não estará mais morto.

este é um antianúncio de retorno. é uma profecia que sussurra ao seu ouvido que me escuta enquanto seus olhos me leem: never more. e sua boca também se movimenta em poe.

 

beijo do siman,

seu sempre fiel escritor

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