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blogue do siman

escritor • crítico • diretor de teatro • editor

ubuntu ou eu tenho um herói

Julho 29, 2017

sinikin.jpg

eu tenho um herói. ele tem superforça quando mete o pé na barraca, derruba a mesa e grita "eu (re-)existo"; ele é inteligente, sabe o que fala e, quando fala "eu (re-)existo", pode acreditar — ele (re-)existe; é sábio pra dedéu. tanto que cada palavra que sai da sua boca é semente germinando meu coração pra florir como os ipês lotando a cidade nest'época do ano. vona é vona. é estrela. é energia, fé, luta, calor e afeto.

 

vona mudou-se pra beagá há pouco. avuô, minha andorinha. e ele é tão forte, tão forte, que sabe ser sutil, delicado e adocear o mundo da gente intirim. foi pra lá porque o sol aqui no vale do aço castiga; ficou com pena de nós: imagine só, dois sóis soleando a região!?

luz prórpia, angústia e uma nos-tal-gia toda contente, de quem olha o passado como algo bom, de quem é grato à vida e às coisas e aos homens e ao universo.

vona é como bassora de chêro na minha vida — barre, barre, deixa tudo limpim e ainda deixa um prefume de camomila danado! "passarinho que debrussa — o voo já está pronto", diria riobaldo, diria guimarães rosa, diria o sertão, diriam essas gerais; mas também não adianta avuar: "o sertão é sem lugar".

só agradeço por ter tido a oportunidade de habitar o mesmo sertão de prédios e carros e usinas com gustavo. e daquipoquim chego lá, se a singeleza quiser em nome do espírito das mulheres negras e pelo amor de delza soares! vamos pra belô gritar juntos: "nós (re-)existimos". ubuntu!

AVAN-TÊ!

no meio do redemoinho

Julho 02, 2017

tenho que falar sobre o dia 28 de abril. foi a maior manifestação que jamais imaginei ver em ipatinga. foi lindo. a greve geral de trabalhadores e estudantes e classe artística. cerca de mil pessoas nas ruas de ipatinga, lutando por direitos. número pequeno, sim. mas não quando se trata de ipatinga, uma cidade que historicamente não sabe sua história.

estávamos eu, gely, rubem, girvany, igor (filho da gely), eliene e vona de braços dados, caminhando no front. a repressão pegou pesado. policiais empurraram uma senhora por exceder o limite; de nada adiantou — todos nós fomos, ocupamos a br 381. tropa de choque ameaçando jogar gás lacrimogênio, batendo os cacetes dos cassetetes (do francês casse-tête — literalmente “quebra-cabeça”) contra os escudos.

nós lutamos. voltei rouco pra casa, mas também voltei contente. de braços dados com girvany e gely, eliene, vona, rubem e igor, sentindo a fumaça das chaminés da usiminas nas vistas e nas narinas, sentindo a ameaça de armas apontadas na nossa direção. confesso que me senti em [19]68, quando a repressão pegava pesado pra caralho.

brasil é campeão em golpes de estado. artista tem de ir às ruas e ver o que está acontecendo com o trabalhador, com o estudante. arte mesmo é desempenho e labor social. que me confundam com os saudosistas da união soviética, mesmo eu não sendo! meu negócio é povo, povo nas ruas, lutando por seus direitos; e o diabo no planalto, no meio do redemoinho*.

 

*apropriação que fiz de guimarães rosa, em grande sertão: veredas.

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